"" Gabriela

terça-feira, 9 de maio de 2017

Qual o tênis correto para exercícios físicos

Um dos principais fatores de emagrecimento é a prática de exercícios físicos. Aliado a uma dieta equilibrada, qualquer pessoa pode perder peso. Sobre o primeiro aspecto, a prática de atividades físicas deve vir cercada de cuidados, sobretudo com os equipamentos usados.

O estudante italiano de design Robert Fliri enfrentou muita desconfiança até que sua criação, uma espécie de luva para os pés, subisse ao pódio. Isso finalmente aconteceu em 2006, quando a fabricante de calçados Vibram investiu na ideia e lançou um dos primeiros dos chamados modelos minimalistas: o Five Fingers — ou cinco dedos, em inglês. A novidade estava na ausência de tecnologia: com ele, a sensação era a de andar descalço. Uma ousadia e tanto diante de um mercado repleto de tênis cuja atração eram justamente potentes amortecedores. A moda pegou mesmo em 2009, quando o jornalista americano Christopher McDougall publicou o livro Nascido para Correr, em que defende praticar esse esporte sem nada entre os pés e o chão. Desde então, há cada vez mais adeptos do calçado que protege do calor e das pedras enquanto simula a pisada natural.


O segredo está no passo. Com um tênis tradicional, o calcanhar toca o chão primeiro, e o amortecedor absorve parte do impacto, que é maior nesse tipo de pisada. Mas, com o minimalista, o peito do pé chega antes, suavizando o contato, e o choque com o solo é todo assimilado pelo corpo. Um estudo do professor Daniel Lieberman, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, sugere que aterrissar com o calcanhar leva o corredor a sofrer mais lesões por esforços repetitivos. "Dessa forma há uma parada súbita do pé, e isso gera um pico de força até três vezes maior que o peso da pessoa. Essa energia extra não existe quando a parte da frente chega primeiro", explica a professora de biomecânica Sarah Ridge, da também americana Brigham Young University.

No entanto, optar pelo minimalista da noite para o dia é uma cilada. O ortopedista Rogério Teixeira, do Hospital e Maternidade São Luiz, na capital paulista, esclarece por quê: o calcanhar tem uma camada de gordura muito mais generosa que o peito do pé, protegendo esse membro. Quilos extras também são um problema. "Se você está bem treinado e sem excesso de peso, o minimalista não causará danos. A questão é que muita gente começa a correr justamente para emagrecer", constata Teixeixa. "Quem está acima do peso e não usa amortecimento vai ter uma lesão mais cedo ou mais tarde", ele alerta.

A musculatura é outro ponto importante a considerar. O fisiologista Júlio Serrão, da Universidade de São Paulo, explica que o calçado minimalista exige bem mais esforço dos músculos do pé e do tríceps sural, popularmente conhecido como batata da perna. "O corredor suaviza a colisão com o solo, mas força essa área, já que ela é mais utilizada, aumentando o risco de lesões", constata Serrão.